sábado, 28 de fevereiro de 2009

DEPRESSÃO - a dor e a alegria de todos os dias.


Viva a democracia! Pelo menos a depressão é democrática. Pelo menos isso... Hoje eu estava assistendo ao noticiário. Cheguei a pensar em não ver mais o noticiário. Todo dia é tudo igual. Quanta notícia ruim! Crises, demissões em massa, brasileiros no Japão sem dinheiro pra voltar pro Brasil, avião sem freio dianteiro que tem que ficar sobrevoando 2hs pra gastar combustível no ar e pousa "de bico", o policial que mata e degola suas vítimas, que mata gente doente por engano, multas, mosquitos da dengue crescendo nos bairros da cidade, excesso de chuva em alguns lugares, seca desastrosa em outros, desempregos, criminosos, e por aí vai. Se eu ficar aqui escrevendo, eu vou escrever até o ano que vem... Mas por outro lado, eu vi a pessoa mais idosa do mundo, uma senhorinha que faz 129 anos hoje! Vi a alegria do povo dançando música de carnaval na praia, vi gols, vi o bloco das mulheres do Chico (Buarque) e amanhã, gente, é dia de festa, pois a nossa cidade maravilhosa completa 444 anos! Viva nós!

Mãe que compete com a filha pode causar depressão na família.


"- Um dia desses, eu estava dirigindo, voltando para casa e de do nada, devarinho, umas lembranças vieram à minha mente... engraçado, mas frequentemente, quando eu estou dirigindo, pensamentos me vêm na cabeça. Verinha, nossa, mal posso lembrar da expressão de surpresa e horror, que eu acho que devo ter feito, quando ela me mostrou seus braços, todos cortados... logo depois me veio outra cena na mente, a de Silvia, a filha "louca" e rejeitada pela mãe, que acabava com todas as suas "economias". Um dia eu fui atender a Sílvia na casa dela, pois havia quase 20 dias que ela não saía do quarto escuro. Sílvia queria morrer. Bem que havia tentado umas duas vezes. Todo o tempo em que fiquei lá, a mãe não parou de criticá-la e ofendê-la, humilhá-la e compará-la com a outra filha, que só dava alegria em casa... O sinal fechou. Uma criança com o uniforme da escola atravessou a rua com a mãe. Alguma coisa ele disse, porque ela deu um tapa nele e um beliscão no seu braço! Nossa, que coisa! O sinal abriu. Olhei pelo retrovisor e a criança estava aos berros. Me veio o Helio na lembrança. Menino magro, olhos grandes e aflitos, transbordava desespero e agonia. Aperto no peito. Dor na barriga. A mãe grávida, fumando e reclamando do filho, que não só queria dormir e não ia mais pra escola. Quase ao mesmo tempo, pensei na Cíntia, que jogara uma pedra pesada nas costas de sua mãe. Nossa, eu pensei, quanta coisa a gente passa nessa vida... e entre um pensamento e outro, de repente, eu me vi chegando em casa. Estacionei o carro e me dirigi ao elevador."


Sentimentos e emoções fazem parte da nossa vida, mas deprimir não é pra qualquer um. É preciso que tenhamos predisposição genética para isso. Os afortunados - que nascem com genética "boa" e "forte", vão precisar de muitos fatores estressores para conseguirem deprimir, ao passo que os que nascerem com uma genética "carregada", vai viver num equilíbio instável - e a qualquer sopro: deprime. Mas fique calmo, nada como um dia após o outro. Como as coisas mudam! Quantas pessoas eu atendi que passaram por anos tão ruins, com tantos problemas de toda ordem, e que hoje estão tão bem, sorrindo e vendo graça na vida novamente! Eu sempre digo: a gente nunca pode se desesperar. A vida sempre apronta, apontando um novo caminho, uma nova luz, um bom vento... O tratamento vai fazendo você juntar gotinhas de resiliência daqui, riscas de superação dali, e quando você menos espera, a vida vai se abrindo, as cores vão ficando mais brilhantes, a melodia passa a fazer bem ao seu ouvido e ver as pessoas na praia, sorrindo e felizes também passa a te fazer bem de novo! Persistir. Jamais desistir. Quase todo dia eu me deparo com vencedores e vencedoras da vida. Gente que não abriu mão de viver. E que hoje vive com muito prazer.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

QUESTIONÁRIO AUTO-APLICATIVO PARA AVALIAR SUAS TRAÇOS DE BIPOLARIDADE


Você pode ser bipolar?


Responda às perguntas abaixo e descubra se você tem algum grau de bipolaridade

1. Você se considera com muitos altos e baixos de humor?

2. Precisa estar sempre fazendo algo ou buscando coisas novas?

3. Já teve vários momentos de apatia ou tristeza sem motivo aparente?


EM COMPARAÇÃO COM OUTRAS PESSOAS VOCÊ...

1. ...já ficou muito alegre e radiante ou irritável sem motivo aparente?

2. ...já teve fases com muitos planos, falando mais rápido, alto e bastante?

3. ...já se arriscou demais em alguns momentos?

4. ...já teve fases ou dias de se vestir de um jeito bem mais chamativo?

5. ...gasta mais dinheiro com prazeres, futilidades ou aparência?

6. ...apresenta mais dificuldade para manter as coisas em ordem e tende à dispersão?

7. ...já teve impulsos exagerados em relação a comida, drogas, sexo ou compras?

8. ...já teve momentos de maior confiança em que se sentiu muito especial?

9. ...muda de planos e objetivos com extrema facilidade?

10. ...demonstra instabilidade profissional ou nos relacionamentos afetivos?

11. ...tende a se magoar ou a se irritar quando alguém o critica ou desagrada?

RESULTADO
:

Se você marcou de uma a três respostas "sim", é pouco provável que tenha algum grau de bipolaridade.

De quatro a sete respostas "sim", é provável que você tenha algum grau de bipolaridade.

Oito ou mais respostas "sim" indicam que é muito provável que você tenha algum grau de bipolaridade.

Reflita e, se for o caso, procure ajuda.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

TERAPIA DE GRUPO GRATUITA PARA ADULTOS COM TDAH E OU TRANSTORNO BIPOLAR


Apesar de serem condições cientificamente validadas no mundo inteiro, o TDAH ou transtorno de deficit de atenção e hiperatividade ainda é muito pouco conhecido e consequentemente, pouco diagnosticado e adequadamente tratado. Adultos com TDAH em sua forma pura tem os sintomas de desatenção e impulsividade melhorados com o metilfenidato (Ritalina, Ritalina LA e o Concerta). O problema é que em cerca de 70% dos casos, o TDAH apresenta comorbidades, ou seja, outros transtornos psiquiátricos que aparecem junto com o TDAH e agravam o problema e dificultam o tratamento. De igual modo, as famílias precisam ser tratadas também, pois elas geralmente não entendem e não aceitam o transtorno como uma doença a ser tratada e muitos familiares insistem em achar que é molecagem, que já virou vício, que é pirraça, falta de vontade, preguiça ou porque o portador só quer mesmo é uma mansa e "viver na sombra e água fresca"...O número de desavenças conjugais auemnta muito, muitos pais saem de casa, passam a morar em outro bairro ou cidade próxima ou alguns somem de vez... por não aguentarem uma carga tão grande de conflitos e culpas. A família muito frequentemente se desestrutura, os conjuges culpam o outro conjuge, que revida em contra-partida... Quando as crianças vao ficando adolescentes e adultos jovens, o estrago na vida daquela familia pode ser total. A comparação é inevitável, e a autoestima daquele jovem fica realmente destroçada. Muitos pais acabam por optar que o filho more sozinho, tamanho o sofrimento que reina na família. No caso do transtorno bipolar, doença grave, séria e que pode cursar com fases depressivas e de euforia, o caso é mais sério ainda. E o TDAH e o Transtorno Bipolar podem cursar ao mesmo tempo, inclusive como comorbidade. Sob alguns pontos, os dois problemas se parecem muito. Na tentativa de ajudar portadores e familiares desses dois transtornos, uma psicoterapia de grupo para homens, adultos, com tdah ou transtorno bipolar, de 19 a 40 anos, foi aberto em vila isabel, no Rio deJaneiro. É coordenado pela Dra Evelyn Vinocur e a psicóloga Rita Tavares e é realizado semanalmente. Em paralelo, as famílias desses pacientes são acompanhadas pelas profissionais. O trabalho em grupo traz benefícios impressionantes, um "up-grade" ao tratamento, tanto como a terapia com os familiares se torna imprescindível. É como se o psiquiatra, o paciente e a família estivessem todos em um barco e todos tivessem que remar. Se a força de cada um não ficar em sintonia com a dos demais, o barco nao vai navegar satisfatoriamente, pode até ficar andando em círculos. Por isso, a Dra Evelyn Vinocur está bastante esperançosa com os resultados desse primeiro grupo. Ela espera que o retorno seja bem gratificante. É importante ressaltar que o grupo precisa ser homogeneo e que o perfil de cada participante seja parecido com os dos outros, para que o trabalho renda melhor. A terapia é a cognitivo comportamental e vamos procurar focar nos problemas que mais ocorrem nesses transtornos. Alguns pontos a serem trabalhados serão o Treino de Habilidades Sociais, Resolução de problemas, Leitura com foco mais prolongado, Assertividade, Auto-Motivação, Resiliência, planejamento de metas e como manejar melhor o tempo. O atual grupo é fechado e tem 5 participantes. Duração em torno de 4 meses.

Mais detalhes? podem postar nos comentários, que eu explico mais detalhes e os critérios de seleção para novos grupos.

XX CONGRESSO DA ABENEPI SOBRE INFANCIA E ADOLESCENCIA


10 a 13 de junho de 2009 - Campinas - SP


Em Junho deste ano a ABENEPI realizará seu XX Congresso Nacional. Por isso deixamos disponível abaixo os links do website da ABENEPI e também do website especial preparado para o Congresso. Caso não escolha nenhum dos links, em alguns segundos você será redicecionado automaticamente para o website do Congresso.Agradecemos sua visita.Participe de nossos eventos.História da Associação, notícias, novos associados, cadastros de profiissionais,links, boletim informativo, endereço das sedes e contatos.Tudo sobre os preparativos para o XX Congresso Nacional da ABENEPI. Ficha de Inscrição. Envio de trabalhos e informações sobre os temários e sobre os palestrantres.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

DEPRESSÃO NA INFANCIA E ADOLESCENCIA


Depressão
Os transtornos afetivos ou transtornos do humor se constituem cada vez mais em fonte de significativa de preocupação para a sociedade como um todo. Descrições médicas de transtornos de humor na literatura são encontradas na literatura desde 5000 anos atrás e vêm sendo mais bem compreendidos ao longo do tempo, graças à maior experiência clínica, estudos de genética, neuroimagem e neuropsicologia, entre outros, fazendo com que a depressão se firmasse como entidade clínica e diagnóstico médico incontestável. Entretanto, muito há que ser compreendido sobre a etiopatogenia da depressão, uma vez que ela é uma doença essencialmente humana, não havendo ainda, meios plenos dela ser compreendida fora do contexto humano (Bueno R, 2006).
É sabido que diagnosticar depressão nem sempre é uma tarefa fácil. Muito menos quando se trata de diagnosticar depressão em crianças e adolescentes. Vive-se hoje uma era globalizada, com uma pletora de meios de informação, onde o indivíduo tem muito mais acesso as informações sobre as distintas patologias médicas, se informando mais e melhor sobre os seus sintomas. Com isso, não raro, muitos pacientes ou mesmo os pais já chegam autodiagnosticados ou com o diagnóstico “pronto” do filho aos consultórios, sejam universitários ou privados. Muitos, inclusive, chegam munidos de questionários de auto-avaliação já preenchidos, que imprimem na internet ou através de revistas.
A depressão é vista como uma doença crônica na qual o indivíduo pode apresentar diversos sintomas depressivos e em diferentes graus de intensidade. Muitas vezes se inicia na infância ou adolescência, com curso prolongado, podendo eventualmente persistir por toda a vida. É sabido que a maioria dos pacientes deprimidos relata o início dos sintomas depressivos desde a infância. Por se tratar de uma patologia grave e reconhecidamente cíclica, sabe-se hoje que a depressão de início precoce necessita de cuidados o quanto antes, para que se evitem prejuízos no desenvolvimento e no funcionamento global de uma criança (Yorbik et al., 2004).

Depressão infanto-juvenil
Sabe-se que existe uma tendência natural em se pensar na infância como um período feliz, livre de preocupações ou responsabilidades, apesar das pesquisas mostrarem que as crianças também sofrem de depressão. Até o momento é consenso geral entre pesquisadores e clínicos que crianças e adolescentes podem deprimir (F I. Lee, 2007), apesar da pouca concordância que existe em relação à natureza e a estrutura dos sintomas depressivos nessa população, que costumam se apresentar de modos distintos para as diferentes faixas etárias (Birmaher et al, 2004; González-Tejeras et al., 2005), tornando o reconhecimento dos sintomas um desafio para muitos especialistas. Sentimentos de tristeza em função de perdas ou manifestações de raiva decorrentes de frustração são na maioria das vezes reações afetivas normais e passageiras e não requerem tratamento. Porém, dependendo da intensidade, persistência e presença de outros sintomas concomitantes, a tristeza e a irritabilidade podem ser indícios de quadros afetivos em crianças e adolescentes. Sintomas disfóricos do dia-a-dia não apresentam conotação psiquiátrica e ocorrem como uma resposta afetiva aos eventos cotidianos, com quadros breves e que não comprometem as condutas adaptativas das crianças (Fu- I L, 2007).
Estudos mostram que a síndrome depressiva pode variar em função do funcionamento cognitivo, habilidade social e grau de desenvolvimento biológico de cada criança que, por sua vez, apresenta dificuldades para nomear, reconhecer e demonstrar seus próprios sentimentos (Weiss e Garber, 2003; González-Tejeras et al., 2005; Luby et al., 2006).
Sabemos hoje que a idade de uma criança e o grau de desenvolvimento psíquico exercem papel importante nos sintomas e manifestações clínicas da depressão (Weller EB 1992; Castel S, 1997). Assim, nos primeiros anos de vida, onde ainda não há a aquisição plena da linguagem verbal, devemos estar atentos à expressão facial e à postura da criança, já que nesse período ela pode não ter condições de relatar seus próprios sentimentos e emoções.
O lactente pode evidenciar retraimento social, desânimo e desinteresse em atividades de lazer, bem como apatia, inapetência e pouca resposta a estímulos sensoriais, como por exemplo, o abraço (Luby et al., 2003). Mas ele pode ser do tipo que chora muito e que é difícil de ser consolado, ou ainda aquela criança nitidamente irritada, agressiva e inquieta, com alternâncias do humor, desde tristeza profunda a momentos de descontrole e raiva, com as chamadas “tempestades afetivas”. No primeiro ano de vida, a perda de habilidades já adquiridas, como regressão da linguagem, ecolalia e enurese, é freqüente. Dos dois aos cinco anos, é comum a dependência excessiva, com ansiedade de separação, pouco controle dos impulsos, irritabilidade ou instabilidade emocional. A partir dos três aos quatro anos, as crianças devem ser entrevistadas face a face, para que se possa obter, com as informações fornecidas pelos pais, um histórico completo e uma definição de diagnóstico confiável (Fu- I, 1996).
Crianças até seis anos, na pré-escola, quando deprimidas, não raro estão com o peso abaixo da média para a idade e apresentam a fisionomia triste ou de seriedade, irritação, inapetência, agitação psicomotora ou hiperatividade, insônia com ansiedade, balanceios, estereotipias e agressividade contra si mesmo ou contra terceiros (Fu–I et al., 2000). Podem manifestar cansaço intenso com falta de energia, anedonia, com perda do prazer e do interesse em atividades que antes gostava e até para brincar (Luby et al., 2006) . Comumente queixam-se de sentimento de tédio e de que nada presta e tudo é chato. Queixas somáticas vagas e inespecíficas como dor de cabeça, dor muscular e ou abdominal são freqüentes e correspondem a sentimentos de angústia e sofrimento emocional (Luby et al., 2003).
Na idade escolar, as crianças deprimidas, além de aparentarem tristeza, se mostram irritadas e emocionalmente instáveis. Podem manifestar indiferença afetiva, e não ter reação a estímulos, seja eles positivos ou negativos. É comum a anedonia com isolamento social e familiar voluntários. Sintomas clássicos da depressão como lentidão de movimentos, voz lenta, monótona e monocórdica, e a expressão de sentimentos de desesperança e sofrimento emocional são mais comuns nessa idade, mas é importante ressaltar que agitação psicomotora, hiperatividade e pouco controle dos impulsos também são sintomas freqüentes nessas crianças, fato que pode confundir o diagnóstico quando feito por especialista não experiente no assunto. O aumento da distraibilidade e a dificuldade de memorização são comuns e levam a uma piora do desempenho escolar.
Kovacs et al.(2003) dão ênfase à investigação de disforia, que é a anedonia associada a mudança de humor, em desproporção ao estímulo, para o diagnóstico de depressão maior em crianças de idade escolar. A perturbação de crianças frente a estímulos e a hiper-reatividade hostil e agressiva nem sempre são valorizadas como sendo a expressão de um sofrimento, nessas crianças.
Segundo Lee Fu-I, em crianças e adolescentes, as súbitas mudanças de comportamento não justificadas por fatores de estresse são de extrema importância e devem sempre ser valorizadas e investigadas como sendo sintomas potencialmente depressivos. A irritabilidade é um sintoma freqüente, embora pouco específico na psiquiatria da infância, podendo ser visto em crianças normais, mas é um sintoma realmente comum entre crianças e adolescentes deprimidos. (Fu-I et al., 2000). A irritabilidade torna-se patológica quando qualquer estímulo é sentido como perturbador e a criança ou adolescente apresenta hiper-reatividade de característica desagradável, hostil e eventualmente agressiva (Dalgalarrondo P, 2000). Alterações do humor com forte componente de irritação, amargura, desgosto ou agressividade se constituem em quadros disfóricos que podem estar presentes nos transtornos afetivos. Provavelmente, por conta de estarem em desenvolvimento, as crianças não tem capacidade par compreender o que acontece internamente e, com freqüência, apresentam comportamento agressivo (Curatolo, 1999). Portanto, é fundamental que crianças e adolescentes que apresentem mudanças súbitas de comportamento e não justificadas por fatores de estresse não passe pelo especialista sem que o mesmo pense na possibilidade de depressão. Em Psiquiatria da Infância e Adolescência é comum que crianças com alterações do humor do tipo disfórico, antes adequadas e adaptadas socialmente possam passar a apresentar condutas irritáveis, destrutivas e agressivas, com violação de regras sociais anteriormente aceitas, como parte do quadro depressivo.
Lamentavelmente, o que se vê na prática diária é o predomínio de reações defensivas e hostis por parte dos familiares, educadores e outros profissionais da área de saúde, que, ignorantes da situação, acabam interpretando a irritabilidade da criança de modo errôneo e simplista, na maioria das vezes.
É sabido que crianças deprimidas geralmente têm auto-estima baixa e que falam de si mesmas de modo negativo, se achando ruins, tontas e se sentindo fracassadas e preteridas pela família, muitas vezes com a certeza de que ninguém se preocupa com elas. A culpa pode ser entendida pela fala de que tudo está errado por causa da sua existência ou na de que ela deve ser punida ou que seria melhor morrer (Mesquita e Gilliam, 1994). A relação entre o apetite e o peso na depressão pode variar, desde perda de peso até o seu ganho, muitas vezes chegando a graus importantes de obesidade. Igualmente, queixas de pesadelos ou de despertares noturnos são freqüentes, bem como insônias acompanhadas de ansiedade ou rituais noturnos. O aumento da distraibilidade e a dificuldade de memorização são comuns e levam a um comprometimento do desenvolvimento escolar, podendo confundir a depressão com o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (Yorbik et al., 2004; González-Tejeras et al., 2005), transtorno comum em crianças e adolescentes, cujos sintomas cardinais são a desatenção, hiperatividade e impulsividade, com promoção de piora no rendimento escolar.
Os adolescentes deprimidos relatam claramente sentimentos depressivos como a desesperança e a dificuldade de concentração e freqüentemente se mostram irritados e hostis. A desesperança, descrença e a sensação de que as coisas jamais mudarão podem levá-los a tentar o suicídio. Aumento ou diminuição do peso, apetite e da quantidade de sono podem variar, bem como é visto graus variados de falta de energia e desinteresse pelas atividades antes prazerosas. Isolamento social voluntário, hipersensibilidade ao fracasso, rejeição e frustração , bem como a falta de perspectivas e expectativas de futuro também são freqüentes. Igualmente, o uso e abuso de substâncias psicoativas é comumente observado nesses casos e pode estar relacionado a “autotratamento ou automedicação”, para o alívio da dor causada pela depressão (González-Tejeras et al., 2005).
Pensamentos de suicídio, vontade de morrer ou planejar a própria morte são encontrados em todas as idades, mudando apenas os graus de intensidade e freqüência, sendo menos freqüente em crianças e mais comum nos adolescentes e devem ser abordados sempre e em qualquer idade (Liu et al., 2006).
Utiliza-se os mesmos critérios diagnósticos para criança, adolescentes e adultos. Entretanto, o reconhecimento e diagnóstico de depressão são mais difíceis na Infância e Adolescência, principalmente porque eles podem ter dificuldade em reconhecer e nomear seus próprios sentimentos.
Cumpre ressaltar que cerca da metade dos casos de transtornos afetivos têm um outro diagnóstico psiquiátrico em comorbidade, como por exemplo, algum tipo de transtorno de ansiedade. A associação desses dois transtornos é tão grande que sintomas de ansiedade na infância podem ser sinal preditivo mais eficiente par depressão do que para transtornos de ansiedade (Birmaher B, 1997).
Cumpre lembrar que adolescentes do sexo feminino têm maior risco de desenvolver depressão do que os do sexo masculino. Em casos de depressão na infância, observa-se história familiar de depressão com início precoce. Estressores psicossociais, presença simultânea de outros transtornos psiquiátricos ou doença crônicas são fatores doença risco para desenvolvimento de depressão em crianças e adolescentes.

Conclusão
Os transtornos afetivos podem ocorre na Infância e Adolescência. o diagnóstico e o tratamento precoces podem mudar o futuro de uma criança, evitando prejuízos ao desenvolvimento e favorecendo a elaboração de vivencias relacionadas aos transtornos afetivos
.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Transtorno Bipolar na Infância - um desafio que gera muita polêmica




Transtorno Bipolar - aumenta o número de casos diagnosticados
The New York Times
por Benedict Carey

The number of American children and adolescents treated for bipolar disorder increased 40-fold from 1994 to 2003, researchers are to report on Tuesday, in the most comprehensive study to look at the controversial diagnosis. And experts say the numbers have almost certainly risen further in the years since. Most experts believe the jump reflects the fact that doctors are more aggressively applying the diagnosis to children, not that the number of new cases has gone up. But the magnitude of the increase is surprising to many experts, who say it is likely to intensify a debate over the validity of the diagnosis that has shaken the field of child psychiatry in recent years. Bipolar disorder is characterized by extreme mood swings and, until relatively recently, it was thought to emerge only in adulthood. Some psychiatrists say that the disorder is too often missed in children, and that increased awareness — reflected in the increasing use of the diagnosis — is now allowing youngsters who suffer from it to get the treatment they need. But others argue that bipolar disorder is overdiagnosed. The term, they say, has become a diagnosis du jour, a catch-all now applied to almost any explosive, aggressive child. Once children are labeled, these experts add, they are treated with powerful psychiatric drugs that have few proven benefits in children and potentially serious side-effects, like rapid weight gain. The spread of the diagnosis has been a boon to drug makers, according to these experts, because treatment typically includes medications that can be three to five times more expensive than those prescribed for other disorders, like depression or anxiety. “I think the increase shows that the field is maturing when it comes to recognizing pediatric bipolar disorder, but the tremendous controversy reflects the fact that we haven’t matured enough,” said Dr. John March, chief of child and adolescent psychiatry at Duke University’s school of medicine, who was not involved in the research. “From a developmental point of view, we simply don’t know how accurately we can diagnose bipolar disorder, or whether those diagnosed at age 5 or 6 or 7 will grow up to be adults with the illness,” he said. “The label may or may not reflect reality.” Most children who qualify for the diagnosis do not go on to develop the classic features of adult bipolar disorder, like mania, researchers have found. They are far more likely to become depressed. But Dr. Mani Pavuluri, director of the pediatric mood disorders program at the University of Illinois, Chicago, said that label is often better than any of the other diagnoses that difficult children often receive. “These are kids that have rage, anger, bubbling emotions that are just intolerable for them, and it is good that this is finally being recognized as part of a single disorder,” to better tailor treatment, she said. In the study, researchers from New York, Maryland and Madrid analyzed data from a National Center for Health Statistics survey of office visits, which focused on doctors in private or group practices. The researchers calculated the number of visits in which doctors recorded a diagnosis of bipolar disorder, and found that the numbers went up from roughly 20,000 such diagnoses in 1994 to about 800,000 in 2003 “I have been studying trends in mental health services for some time, and this finding really stands out as one of the most striking increases in this short a time,” said Dr. Mark Olfson of the New York State Psychiatric Institute at Columbia University, the senior author of the study, which appears in the September issue of Archives of General Psychiatry, which is to be published Tuesday. The increase makes bipolar disorder more common among children than clincial depression, the authors said. The study found that psychiatrists made almost 90 percent of the diagnoses, and that two-thirds of the young patients were boys. About half the patients also had been identified as having other mental difficulties, most often attention-deficit disorder. The treatment given the children almost always included medication. About half received antipsychotic drugs, like Risperdal from Janssen or Seroquel from Astrazeneca, both developed to treat schizophrenia; a third were prescribed so-called mood stabilizers, most often the epilepsy drug Depakote; and antidepressants and stimulants were also common. Most children were on some combination of two or more drugs, and about four in 10 received some psychotherapy. Their regimens were very similar to those of a group of adults with bipolar diagnoses, the study found. “You get the sense looking at the data that doctors are generalizing from the adult literature and applying the same principles to children,” Dr. Olfson said. The rise in bipolar diagnoses in children reflects several factors, experts say. Bipolar symptoms do appear earlier in life than previously thought, in teenagers and young children who later develop the full-blown disorder, recent studies suggest. The label also gives doctors and desperate parents a quick way to try to manage children’s rages and outbursts, in an era when long-term psychotherapy and hospital care are less accessible, they say. In addition, in recent years drug makers and company-sponsored psychiatrists have been encouraging doctors look for the disorder, ever since several drugs were approved to treat the disorder in adults. Last month the Food and Drug Administration approved one of these medications, Risperdal, to treat bipolar in children — which many experts say they expect will escalate the use of Risperdal and similar drugs in young people. “We are just inundated with stuff from drug companies, publications, throwaways, that tell us six ways from Sunday that, ‘Omigod, we’re missing bipolar,’ ” said Dr. Gabrielle Carlson, a professor of psychiatry and pediatrics at Stony Brook University School of Medicine on Long Island. “And if you’re a parent with a difficult child, you go online, and there’s a Web site for bipolar, and you think, ‘Thank God I’ve found a diagnosis. I’ve found a home.’ ” Some parents whose children have received the diagnosis say that, with time, the label led to effective treatment. "It’s been a godsend for us," said Kelly Simons, of Montrose, Colo., whose son Brit, 15, was prone to angry outbursts until given a combination of lithium, a mood-stabilizer and Risperdal several years ago. He is now on lithium alone and he is an honor-roll student. Others say their children have suffered from side effects of drugs given for bipolar disorder, without getting much benefit. Ashley Ocampo, 40, of Tallahassee, Fla., the mother of an 8-year-old boy, Nicholas Ryan, who is being treated for bipolar disorder, said that he had tried several antipsychotic drugs and mood stabilizers, and that he had been better lately. But, she said in an interview, “He has gained weight, to the point where we were struggling find clothes for him; he’s had tremors, and still has some fine motor problems that he’s getting therapy for.” She added, “But he’s a fabulous kid, and I think, I hope, that we’re close to finding the right combination of medications to help him.”
(minha tradução):
Mais crianças são tratadas para Transtorno Bipolar do Humor Por Benedict Carey Publicado em 03 de Setembro de 2007 Na revista: The New York Times
Até onde o diagnóstico de Transtorno do Humor Bipolar em crianças e adolescentes pode ou não refletir a realidade dos fatos? O artigo traz à luz, pontos importantes e polêmicos sobre a questão.
Pesquisas mostram como aumentou o número de atendimentos a crianças e adolescentes americanos por serem portadores de Desordens Bipolares num período de dez anos, ou seja, de 1994 a 2003. Na verdade, a Psiquiatria está passando por várias reformulações e grandes avanços, principalmente no caso específico da Psiquiatria infantil, onde os estudos e trabalhos de campo e de pesquisa têm sido ainda maiores, com o advento das neurociências e estudos em neuroimagem e genética molecular. Mas o fato é que a polêmica em torno do aumento dos diagnósticos em Psiquiatria tem trazido calorosos debates. Hipóteses as mais variadas têm sido levantadas, como a de que médicos estariam fazendo diagnósticos e tratamentos de modo mais agressivo ou porque o número de novos casos de Transtorno do Humor Bipolar em crianças está aumentando. Ou ainda por conta de um possível superdiagnóstico, ou seja, toda criança atendida que fosse agressiva ou explosiva, já sairia da consulta diagnosticada e tratada como bipolar o que levaria ao surgimento de outras polêmicas, uma vez que o custo de um tratamento para Transtorno do Humor Bipolar pode ser de três a cinco vezes mais caro do que o de outras doenças, como Ansiedade ou Depressão. Ainda mais que tais tratamentos, além de poderem não corresponder aos benefícios esperados, podem gerar efeitos colaterais adversos sérios como o ganho de peso. Motivo real não sabemos, mas verdade é que a magnitude da situação tem dado vez a calorosos debates em torno da questão. Transtorno do Humor Bipolar se caracteriza por alterações intensas do humor e até há pouco tempo se achava que a condição só afetava a adultez, “poupando” os pequenos. Transtorno do Humor Bipolar se caracteriza por alterações intensas do humor e até há pouco tempo se achava que a condição só afetava a adultez, “poupando” os pequenos. Pensando sob outro ângulo, alguns Psiquiatras dizem que o Transtorno Bipolar é um problema muito freqüentemente não diagnosticado em crianças e que tal fato merece reflexão e estudo, na medida em que os médicos, conhecendo mais o transtorno, estariam beneficiando aquelas crianças e adolescentes portadoras do transtorno. Dr. John March, chefe de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Universidade de Duke, acha que a situação reflete uma imaturidade nessa área dos transtornos bipolares em crianças. Segundo ele, ainda não há meios de se fazer um diagnóstico com acurácia em crianças pequenas, do ponto de vista do desenvolvimento. Diz também que a maioria das pesquisas mostra que crianças qualificadas para o diagnóstico não apresentariam os sintomas clássicos do transtorno como o estado de mania, ao contrário, tornar-se-iam crianças deprimidas. Dr. Mani Pavuluri, diretor do programa de transtornos do humor da Universidade de Illinois, Chicago, fala que o “rótulo” do Transtorno do Humor Bipolar geralmente é melhor do que qualquer outro diagnóstico que normalmente é feito, para crianças difíceis, ou seja, para aquelas que apresentam ódio, raiva extrema e incontinência afetiva e do humor, emoções insuportáveis para essas crianças, e que era bom que finalmente esses sintomas estavam sendo reconhecidos como parte de uma doença única. Pesquisadores de Nova York, Maryland e Madri analisaram dados de pesquisa do Centro Nacional para estudos epidemiológicos em Saúde com foco em médicos particulares e estimaram um aumento do diagnóstico de Transtorno Bipolar do Humor da ordem de 780 mil, no mesmo período de 1994 a 2003. Dr. Mark Olfson, pesquisador em Saúde Mental da Universidade de Columbia há anos e chefe da atual pesquisa, revelou que foi o aumento mais surpreendente em pesquisa, em período curto de tempo. Ele diz que tal resultado fez o Transtorno do Humor Bipolar mais comum entre crianças do que a depressão. O estudo achou que psiquiatras fizeram quase 90% dos diagnósticos e que 2/3 das crianças eram meninos. Cerca de metade dos pacientes apresentava outras dificuldades mentais, como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. O tratamento quase sempre incluía medicamentos. Metade deles receberam drogas como a risperidona ou a quetiapina, ambos aprovados para o tratamento da esquizofrenia. E que 1/3 recebeu o estabilizador de humor chamado Depakote. E que psicoestimulantes e antidepressivos também eram usados. A maioria das crianças recebiam combinação de duas ou mais drogas e que cerca de quatro em dez crianças recebiam psicoterapia. O estudo achou que a metodologia usou recursos similares ao do tratamento do Transtorno Bipolar do Humor em adultos.
Especialistas disseram que o aumento dos diagnósticos de Transtorno do Humor Bipolar em crianças e adolescentes reflete vários fatores. Estudos recentes sugerem que sintomas bipolares de fato aparecem mais precocemente na vida de adolescentes e crianças pequenas que desenvolvem os sintomas plenos da doença em idades mais tardias. E que o diagnóstico de Transtorno do Humor Bipolar na Infância e Adolescência dão aos psiquiatras e aos familiares desesperados um tratamento para as chamadas “tempestades afetivas”, verdadeiras “crises de fúria”. Os psiquiatras têm sido encorajados a pensar e pesquisar o Transtorno do Humor Bipolar e várias drogas já estão aprovadas no tratamento em adultos. A risperidona foi aprovada pelo FDA para o tratamento do Transtorno do Humor Bipolar na Infância e Adolescência em agosto de 2007. Não só o Transtorno do Humor Bipolar, mas também o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade e outros transtornos geram controvérsias, com admiradores e opositores. É o caso da Dra. Gabrielle Carlson, da Universidade Stony Brook em Long Island. Ela diz que todos estão “inundados” com divulgações maciças de Laboratórios de remédios dizendo que os médicos não estão diagnosticando o Transtorno Bipolar do Humor e outras coisas. Alguns pais de crianças diagnosticadas como portadoras de Transtorno do Humor Bipolar dizem que o “rótulo” levou a tratamentos efetivos, com o tempo. “Foi uma benção para nós” pois meu filho de 15 anos tendia a explosões de raiva até tomar lítio e risperidona por muito tempo. Agora ele toma só o lítio e é um ótimo estudante. Evidentemente, outras declarações não foram tão otimistas assim. Fato é que ainda temos muito caminho pela frente no que tange ao total entendimento de um transtorno tão grave e tão sério quanto o Transtorno Bipolar do Humor, tanto em crianças, adolescentes e adultos.